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04/02/26 - às 11:32
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O retorno às aulas representa mais do que a retomada da rotina: envolve uma
transição cognitiva e emocional significativa. O estudante deixa um período de baixa
exigência, típico das férias, e passa a conviver novamente com metas, avaliações e
convivência social intensa. Nesse processo, são comuns sentimentos como
ansiedade de separação, especialmente entre crianças, a pressão por
pertencimento a grupos e o receio diante do novo, como professores, colegas ou
disciplinas desconhecidas. A reorganização do tempo e das responsabilidades
costuma gerar um cansaço mental acentuado nas primeiras semanas.
A psicóloga Mylena Jacinty, explica que a adaptação inicial é um processo natural de
acomodação. “É esperado que o aluno fique mais quieto, sonolento ou irritadiço nos
primeiros dias. A diferença entre uma adaptação saudável e um quadro de
sofrimento emocional está na intensidade, frequência e duração desses sinais.
Quando comportamentos como recusa em ir à escola, choro persistente ou sintomas
físicos sem causa médica permanecem por mais de duas a três semanas, pode
haver um quadro de estresse ou ansiedade que merece atenção”, explica.
Mudanças que fogem ao padrão habitual da criança ou do adolescente são
indicativos importantes. Entre eles estão o isolamento social, a queda brusca no
rendimento escolar, queixas constantes de dores de cabeça ou estômago,
alterações no sono e no apetite, além de explosões de raiva por motivos triviais.
Esses sinais apontam para um possível desequilíbrio emocional no processo de
readaptação.
Nesse contexto, a escola tem papel central como espaço de segurança psicológica.
Ambientes em que o erro é tratado como parte do aprendizado, e não apenas como
fracasso, contribuem para a saúde mental dos alunos. A presença de profissionais
preparados para a escuta, ações efetivas contra o bullying e a inclusão de
competências socioemocionais no currículo ajudam o estudante a reconhecer e
nomear o que sente.
O professor costuma ser o primeiro a perceber mudanças no comportamento. Ao
notar algo fora do comum, a orientação é agir com empatia e discrição, observando
e oferecendo apoio. Caso a situação persista, o registro das ocorrências e o diálogo
com a coordenação permitem acionar uma rede de apoio que envolva escola, família
e, quando necessário, profissionais da saúde.
A família, por sua vez, funciona como porto seguro. Pais e responsáveis são
orientados a evitar projetar suas próprias ansiedades sobre os filhos e a manter
canais de diálogo abertos, valorizando sentimentos e não apenas resultados. Um
ambiente doméstico estável oferece ao estudante a base emocional para lidar com
as pressões do ambiente escolar.
Outro fator que influencia a adaptação é o uso excessivo de telas. O consumo
intenso de redes sociais e jogos, que oferecem estímulos imediatos, dificulta a
tolerância ao tédio e à frustração exigidos no ambiente escolar. Além disso, a luz
azul interfere no sono, afetando memória, atenção e estabilidade emocional.
Quando o sofrimento compromete a rotina, as relações sociais ou o desempenho, a
psicoterapia pode ser indicada. A intervenção precoce evita que um estresse de
adaptação evolua para um transtorno de ansiedade mais duradouro. Especialistas
reforçam ainda a importância de mudar o foco exclusivo nas notas para a
valorização do esforço e do processo, ajudando o aluno a desenvolver autonomia e
autoestima.
Dica da Psicóloga:
A ansiedade costuma surgir quando a mente tenta antecipar problemas que ainda
nem aconteceram. Por isso, criar rotinas simples e estratégias de autocontrole pode
fazer toda a diferença especialmente na vida escolar.
Organizar a mochila e o uniforme na noite anterior reduz o cortisol do “caos matinal”.
Respiração Diafragmática: Ensinar o aluno a inspirar e expirar lentamente antes de
entrar na sala.
Foco no presente:
Substituir pensamentos catastróficos (“Vou reprovar”) por fatos (“Hoje vou apenas
assistir às aulas e rever meus amigos”).
