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16/03/26 - às 15:28
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Criado no âmbito do curso de Comunicação social da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), o projeto de extensão Florescer desenvolve ações educativas voltadas à prevenção da violência contra a mulher por meio da comunicação e da educação. A iniciativa reúne professores, estudantes e profissionais da rede de proteção, atuando principalmente em escolas municipais de Guarapuava.
A coordenação geral do projeto é da professora Ariane Pereira, com colaboração dos professores Lucas Pullin e Renata Caleffi, todos vinculados ao curso de Jornalismo da Unicentro. “O Florescer surgiu a partir da necessidade de ampliar a comunicação sobre a violência doméstica e ajudar mulheres a reconhecerem situações de agressão.
Segundo a coordenadora, a ideia começou a ser estruturada em 2018, quando a equipe percebeu que muitos materiais de conscientização utilizavam exemplos considerados extremos de violência, o que dificultava que vítimas e agressores identificassem situações presentes no cotidiano. A partir desse diagnóstico, foram produzidos conteúdos de comunicação voltados à Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres do município, com o objetivo de orientar e informar a população.
Com o tempo, o projeto evoluiu para uma iniciativa de extensão universitária e passou a atuar também na prevenção da violência, especialmente entre crianças. A proposta se baseia em princípios da Lei Maria da Penha, que prevê ações educativas e preventivas como parte do enfrentamento à violência contra a mulher.
Atualmente, o Florescer realiza oficinas em escolas municipais, voltadas principalmente para turmas do terceiro ano do ensino fundamental. As atividades são desenvolvidas de forma lúdica e dialogada, utilizando jogos, histórias em quadrinhos, produção audiovisual e dinâmicas educativas para discutir temas como igualdade de gênero, estereótipos e respeito nas relações.
Em média, o projeto atende cerca de 12 turmas por ano, alcançando aproximadamente 500 crianças por edição. “Durante as oficinas, os estudantes participam de atividades que estimulam a reflexão sobre papéis sociais e desigualdades de gênero. Ao final do ciclo, as próprias crianças produzem conteúdos audiovisuais,como pequenos telejornais, paródias e encenações que são exibidos em uma sessão coletiva na universidade”, ressalta Ariane Pereira.
Oficinas:
Na primeira oficina, os estudantes participam de um jogo de tabuleiro em tamanho ampliado, no qual as próprias crianças atuam como peças. A dinâmica inclui perguntas e situações do cotidiano que incentivam os participantes a refletirem sobre as diferenças de tratamento entre homens e mulheres em tarefas domésticas, responsabilidades familiares e oportunidades.
A proposta é estimular a observação da realidade cotidiana e identificar possíveis desigualdades presentes nas relações sociais. A partir dessa discussão inicial, os encontros seguintes aprofundam temas relacionados aos estereótipos de gênero e suas consequências.
Durante as atividades, os estudantes também participam de dinâmicas com brinquedos tradicionalmente associados a meninos ou meninas, como bonecas, carrinhos e personagens de super-heróis. A intenção é discutir como essas associações podem reforçar estereótipos e limitar possibilidades de escolha e comportamento.
Na terceira oficina, os participantes entram em contato com conteúdos educativos sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, incluindo violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Os temas são apresentados por meio de histórias em quadrinhos e materiais ilustrados, que permitem discutir o assunto sem recorrer a imagens ou exemplos considerados impactantes para o público infantil.
Outro objetivo das oficinas é explicar às crianças como funcionam os mecanismos de proteção às vítimas, além de apresentar canais de apoio e denúncia. As atividades também enfatizam a importância do acolhimento às vítimas e do respeito nas relações.
Produção audiovisual pelas crianças:
Na quarta etapa do projeto, os estudantes passam a produzir conteúdos audiovisuais relacionados aos temas discutidos durante as oficinas. Com apoio de equipamentos do curso de Comunicação da universidade, as turmas elaboram pequenas produções como encenações, paródias, reportagens simuladas e vídeos no formato de telejornais.
Segundo a coordenadora do projeto, essa etapa busca estimular a participação ativa das crianças no processo de aprendizagem. As produções são posteriormente editadas pela equipe do projeto e exibidas em uma sessão especial na universidade.
No último encontro, as crianças visitam o campus Santa Cruz da Unicentro para assistir aos vídeos produzidos durante as atividades. A exibição ocorre em uma sala de cinema da instituição, permitindo que os participantes acompanhem o resultado do trabalho desenvolvido ao longo das oficinas.
Essa etapa final integra o que os organizadores chamam de ciclo educomunicativo, conceito que propõe a participação ativa dos estudantes na produção e circulação do conhecimento.
“ As crianças perceberem que elas não apenas recebem conhecimento, mas que elas também produzem e compartilham conhecimento e assim elas também se reconhecem como cidadãs e é dessa maneira que a gente acredita que tem a transformação cultural e social, não só no curto prazo, mas sobretudo no longo prazo, quando elas se tornarem adultas e tiverem os próprios relacionamentos”, esclarece Ariane.
Relatos e acompanhamento pela rede de proteção:
Durante as atividades, é comum que algumas crianças compartilhem relatos de situações de violência presenciadas em casa ou na comunidade. Por esse motivo, as oficinas contam com o acompanhamento de profissionais da rede de proteção, como assistentes sociais e psicólogos vinculados à Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.
Quando surgem relatos, esses profissionais realizam o acolhimento inicial e, quando necessário, encaminham os casos para acompanhamento pelos serviços especializados do município. O objetivo é garantir suporte às famílias e orientar possíveis encaminhamentos dentro da rede de atendimento.
Segundo informações da equipe do projeto, levantamentos realizados pela secretaria municipal indicaram que, em bairros onde as oficinas foram realizadas, houve aumento na procura por informações e atendimentos relacionados à violência contra a mulher.
Reconhecimento e premiações:
Ao longo dos anos, o projeto Florescer recebeu diversos reconhecimentos acadêmicos e institucionais. Entre os prêmios estão o Prêmio Expocom Nacional nas edições de 2023 e 2024, na categoria Projeto de Extensão, além do Expocom Sul, também nas mesmas categorias.
O projeto também foi reconhecido no Seminário de Extensão Universitária da Região Sul (Seurs) de 2019 como melhor projeto de extensão e recebeu o Prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense, em 2017, na categoria Assessoria de Imprensa. Em 2022, a iniciativa também recebeu uma Moção de Aplausos e Congratulações da Câmara de Vereadores de Guarapuava.
