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13/03/26 - às 16:56
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“Lembro até hoje, foi no dia quatro de fevereiro de 2021, que a minha prima me chamou e falou que tudo era uma farsa, que ele estava abusando de mim, e que nada era real das terapias que ele utilizava, as terapias existiam, mas não da maneira que ele aplicava”, é o que diz uma vítima anônima de Giovani Caetano. O psicólogo foi preso na quinta-feira(12),cinco anos após as denúncias.
“Começou com esses toques, depois pedia para eu tirar a calça, depois a blusa, ficar somente de calcinha e sutiã. Ele falava que estava fazendo microfisioterapia, e por isso precisava me tocar”. Além disso a vítima contou que Giovani perguntava quais eram os sonhos eróticos, qual posição gostaria de fazer sexo, e como imaginava fazer sexo, já que a vítima tinha 16 anos e ainda não teria iniciado a vida sexual.
Inicialmente, os pais confiaram no psicólogo e fecharam um pacote de 20 sessões. A filha chegava animada em casa relatando como foram as primeiras conversas. Isso porque, as violências começaram após a mesma relatar que havia passado por uma situação de assédio. “ Foi quando tudo mudou. Todas as sessões começaram a ter cunho sexual, na sessão seguinte ao meu relato sobre o assédio, ele pediu para eu levar a roupa que estava usando naquele dia, e repassamos todos os detalhes daquela situação, porém ele fazia o papel do homem que havia me assediado naquele dia”.
A mãe da vítima relata que só soube dos abusos, por conta da prima que também foi violentada. “ Só soubemos que ele pedia para ela tirar a roupa e que ele passava a mão nela quando os mesmos fatos aconteceram com a prima, de 22 anos na época, que assustada, pensou que isso também estivesse acontecendo com a prima menor, minha filha, com 16 anos”, diz a mãe.
Em fevereiro de 2021, a situação foi revelada à família da vítima. No mesmo período, segundo o relato, o psicólogo teria convocado os pais da adolescente para sugerir a contratação de um novo pacote de tratamento, no valor de R$7 mil, alegando que o quadro da paciente havia piorado.
A denúncia:
Após a revelação, a família decidiu buscar apoio jurídico e levar o caso às autoridades. Inicialmente houve incerteza sobre os procedimentos para formalizar a denúncia, mas posteriormente o caso foi apresentado ao Ministério Público, que instaurou um processo cautelar.
Segundo a vítima, a investigação durou cerca de dois anos e envolveu coleta de provas, depoimentos e perícia em equipamentos eletrônicos do investigado. Durante esse período, ela afirma que a família viveu momentos de medo e pressão.
Em 2022, novas denúncias de mulheres que teriam sido atendidas pelo mesmo profissional vieram à tona, incluindo relatos de outra clínica onde ele também atuava. Algumas das vítimas afirmam que os abusos teriam ocorrido anos antes.
A vítima relata que a prisão do acusado trouxe sensação de alívio, mas afirma que as consequências emocionais permanecem. As vítimas também cobram posicionamento de conselhos profissionais da área de psicologia sobre o caso e a condução dos processos éticos relacionados às denúncias.
“Nossa luta tem sido árdua para que a justiça seja feita. É tudo muito revoltante. A omissão do CRP diante das denúncias também causa indignação. A clínica que ele mantinha em Mangueirinha foi fechada, mas não em decorrência dos abusos relatados, e sim após uma denúncia de tortura”, finaliza a mãe da vitima.
Entramos em contato com o advogado do psicólogo e até o momento de publicação desta reportagem não tivemos respostas.
O instagram:
Familiares e vítimas também criaram um perfil no Instagram com o objetivo de dar visibilidade ao caso e oferecer apoio a outras pessoas que possam ter passado por situações semelhantes. A página @psicologoabusador, reúne informações sobre o andamento das denúncias e orientações para quem deseja procurar ajuda.
A iniciativa busca incentivar que outras possíveis vítimas se manifestem, além de fortalecer uma rede de apoio e acolhimento para quem enfrenta as consequências emocionais dos abusos. Segundo os responsáveis pela página, o espaço foi criado para que histórias não fiquem em silêncio e para que a busca por justiça continue.
Como buscar ajuda:
Disque 100 (Disque Direitos Humanos): Canal nacional gratuito, 24 horas, ideal para denúncias de abuso contra crianças, adolescentes, idosos e pessoas vulneráveis. As denúncias são encaminhadas aos órgãos competentes (polícia, Conselho Tutelar).
Disque-Denúncia 181: Canal da Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Permite denúncias anônimas sobre crimes.
WhatsApp Disque 100: (61) 99611-0100.
Polícia Militar – 190: Acione em casos de emergência, se o crime estiver ocorrendo no momento.
Guarapuava:
Conselho Tutelar: Responsável por receber denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes. (42) 3142-0561
Delegacia de Polícia e delegacia da mulher: Para registrar Boletim de Ocorrência (BO) presencialmente. (42) 3630-1700
Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram): Oferece suporte especializado. (42) 9840- 56206
Foto de capa: arquivo das redes sociais
