Aos 49 anos, Sidione Aparecida dos Santos enfrentou uma mudança significativa em sua rotina após receber o diagnóstico de câncer. Segundo ela, o primeiro pensamento ao descobrir a doença foi o de continuar vivendo e lutar para superar o momento difícil. Sidione afirma que, desde o início, não cogitou desistir e manteve como objetivo retomar suas atividades e voltar ao trabalho.
A descoberta ocorreu durante a realização de exames de rotina. Ao fazer o exame preventivo em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), uma enfermeira identificou uma alteração e a encaminhou com urgência para atendimento especializado no Câncer Center. Após a realização de uma biópsia, o diagnóstico foi confirmado e, em menos de um mês, Sidione iniciou o tratamento com sessões de quimioterapia.
Ela relata que a dimensão do desafio ficou mais evidente logo no começo do tratamento. A rotina passou a incluir aplicações frequentes de medicações para controle da imunidade e coletas de sangue diárias para acompanhamento do quadro clínico. Diante da intensidade do processo, Sidione percebeu que seria necessário reunir forças para seguir em frente e enfrentar cada etapa.
Durante os momentos mais difíceis, a paciente afirma que o otimismo e a fé foram fatores importantes para manter a esperança. Segundo ela, a prática constante de orações e a confiança em Deus ajudaram a fortalecer sua determinação ao longo do tratamento.
Filha relata sentimentos e aprendizados ao acompanhar tratamento de câncer da mãe:
Rafaella Louhaynne de Campos acompanhou de perto o tratamento oncológico da mãe e descreve o período como um dos mais desafiadores de sua vida. Para ela, um dos sentimentos mais marcantes ao longo do processo foi a sensação de impotência diante da situação.
De acordo com Rafaella, o que mais a afetava era ver a mãe enfrentar momentos difíceis sem poder fazer muito para aliviar o sofrimento. “O que mais assusta é o sentimento de impotência, ver a pessoa que você mais ama passando por algo tão difícil e não poder fazer nada, apenas sentir medo de perder e dor de ver ela sofrer”, relata.
O medo esteve presente em diferentes momentos do tratamento. Mesmo assim, a jovem conta que tentou não demonstrar suas preocupações para não aumentar a apreensão da mãe. Ela afirma que, apesar desse esforço, o processo acabou refletindo em outros aspectos de sua rotina, como a vida profissional e social, gerando cansaço emocional e frustração.
Foto: Arquivo Pessoal
“Acabei me fechando bastante para tudo e para todos, porque não queria compartilhar minhas frustrações com ela e acabar preocupando ainda mais. Eu queria ser forte, fazer tudo por ela e suportar o que fosse preciso. Mas também sofria muito quando, nos momentos de medo, sentia que não conseguia consolá-la como gostaria”, diz Rafaella.
Entre as lembranças mais marcantes, Rafaella destaca a postura da mãe durante o tratamento. Segundo ela, mesmo diante das etapas mais difíceis da terapia oncológica, a mãe procurava não demonstrar fragilidade e insistia em se manter ativa, mesmo sentindo dores. Para a jovem, essa atitude se tornou um exemplo de força e perseverança.
A experiência também trouxe aprendizados que Rafaella afirma levar para a vida. Ela destaca a importância de persistir diante das dificuldades e de não desistir facilmente dos objetivos pessoais.