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06/03/26 - às 11:26
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No final da tarde de quinta (5), a Associação Guarapuavana Mundo Azul (AGMA) publicou nas redes sociais uma nota oficial em repúdio a declarações atribuídas à secretária de Educação de Guarapuava, Profª Rosana Aparecida Schwartz. Segundo a nota, em áudios e vídeos de uma reunião de diretores da rede municipal, a secretaria teria dito que as famílias de crianças autistas buscavam laudos médicos com fins financeiros.
No áudio, afirma-se que: “a gente precisa estudar, né? A gente precisa estudar. Porque a conversa, né… daí pai chega, pintam com aqueles laudos e deixa a gente caduco. E tem mais uma coisa, gente. Um novo comércio também que se abre. Infelizmente. Porque esses pais que conseguem laudo, eles entram na justiça, eles não ganham só o profissional de apoio. Eles ganham R$ 1.600 por mês. Daí ela não precisa mais trabalhar”.
No pronunciamento da AGMA, assinado pela presidente da associação, Eliane Scavronski, a instituição destaca que tais afirmações deslegitimam a luta de centenas de famílias que buscam garantir o direito básico de seus filhos à educação inclusiva e de qualidade. Segundo nota, essas famílias já enfrentam obstáculos históricos, como filas para diagnósticos e dificuldades no acesso a terapias especializadas. Questionar a necessidade de suporte pedagógico intensifica estigmas e preconceitos contra pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), aponta o documento.
A AGMA espera esclarecimentos públicos por parte da gestão municipal e cobra um compromisso efetivo com o fortalecimento das políticas de inclusão na rede de ensino. “A luta das famílias não é por privilégios, mas sim por condições mínimas para que crianças e adolescentes autistas possam aprender e se desenvolver”, conclui o texto.
Losanja Gonzales, gestora da Associação de Pais de Autistas de Guarapuava e mãe atípica, também gravou um vídeo repudiando as falas. “Ninguém quer procurar isso, gente. Não é fácil. A vida da gente não é fácil. A gente está todo dia matando um leão por dia e o que a gente tem direito ainda vem falar que é vantagem. A gente está reivindicando um direito que a gente conseguiu conquistar”, afirma Losanja.
O valor financeiro indicado no áudio faz menção ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que, segundo a Comissão dos Direitos das Pessoas com Autismo, “É um suporte financeiro fundamental para pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade socioeconômica no Brasil. No contexto específico de pessoas com autismo, o BPC LOAS desempenha um papel crucial ao prover recursos essenciais para o sustento e a qualidade de vida”.
Ainda, segundo a comissão, por afetar áreas como a sociabilidade e a comunicação, o autismo exige um acompanhamento multidisciplinar que, muitas vezes, gera custos elevados às famílias. Nesse cenário, os auxílios governamentais deixam de ser apenas uma assistência para se tornarem um recurso estratégico na superação de barreiras e na promoção de uma vida com autonomia.
A respeito do assunto, Gisiele Schmitz Loch, advogada e mãe atípica, também gravou um vídeo se posicionando sobre o assunto e publicou nas redes sociais. Gisele pontua que “Não é bem assim para quem não tem condições financeiras de conseguir um laudo. Não é bem assim para conseguir um BPC […] Isso não existe. Então vamos se informar, pensar um pouquinho antes de falar besteira, de divulgar besteira, justamente quem precisava saber o que estava falando”, afirma a advogada.
Além disso, na manhã de sexta (6), a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais também publicou uma nota de repúdio. “Tal afirmação desconsidera a realidade vivida diariamente por milhares de famílias que dedicam tempo, cuidado e recursos para garantir o desenvolvimento, o tratamento e a inclusão de seus filhos. Cuidar de uma criança com deficiência ou com TEA exige acompanhamento constante, acesso a terapias, consultas especializadas e uma rede de apoio que, muitas vezes, recai majoritariamente sobre as mães”, afirma parte do documento publicado no Instagram da instituição.
O Lance entrou em contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Guarapuava para agendamento de uma entrevista com a secretária, ou para envio de um posicionamento oficial da gestão. Contudo, até o momento da publicação desta reportagem não obtivemos resposta. Portanto, essa matéria pode ser atualizada a qualquer momento, assim que surgirem mais informações.
