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06/03/26 - às 09:30
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A adoção de dietas sem glúten ou sem lactose tem se tornado cada vez mais comum. No entanto, especialistas alertam que a retirada desses componentes da alimentação deve ocorrer, preferencialmente, com orientação profissional e quando há indicação clínica. Condições como doença celíaca, alergia ao trigo, sensibilidade ao glúten não celíaca e intolerância à lactose estão entre as principais situações em que a restrição alimentar é recomendada.
Segundo a especialista em modulação intestinal Denise Piaceski, cada caso precisa ser avaliado individualmente. Ela explica que a retirada do glúten é indispensável para pessoas com doença celíaca, condição em que o consumo da proteína desencadeia uma reação autoimune que provoca inflamação e danos no intestino, prejudicando a absorção de nutrientes.
Já na sensibilidade ao glúten não celíaca, o paciente pode apresentar sintomas após consumir alimentos que contêm a proteína, mesmo sem apresentar as lesões intestinais características da doença celíaca. A alergia ao trigo, por sua vez, ocorre quando o organismo reage às proteínas presentes no cereal e pode causar sintomas como coceira, urticária, inchaço e, em casos mais graves, dificuldade para respirar.
De acordo com Denise Piaceski, os sinais de intolerância ou sensibilidade ao glúten podem variar bastante. Entre os sintomas mais relatados estão inchaço abdominal, gases, dor abdominal, alterações no funcionamento do intestino, cansaço frequente, dores de cabeça, dificuldade de concentração, alterações de pele e até deficiência de nutrientes, como anemia. Como nem sempre os sintomas são exclusivamente digestivos, o diagnóstico pode exigir uma investigação clínica mais detalhada.
A especialista também alerta que retirar o glúten da alimentação sem orientação adequada pode trazer riscos nutricionais. Muitas pessoas substituem alimentos tradicionais por produtos industrializados rotulados como “sem glúten”, que nem sempre são mais saudáveis e podem apresentar maior quantidade de açúcar, gorduras ou farinhas refinadas.
Outro ponto de atenção é que dietas sem glúten mal planejadas podem reduzir o consumo de nutrientes importantes, como fibras, ferro, vitaminas do complexo B, magnésio e zinco, já que diversos cereais que contêm glúten também são fontes dessas substâncias.
Em relação à alimentação sem lactose, Denise explica que é possível manter uma ingestão adequada de cálcio mesmo sem o consumo de leite e derivados tradicionais. Entre as alternativas estão vegetais verde-escuros, sementes como gergelim e chia, sardinha, tofu e bebidas vegetais fortificadas com cálcio. Ainda assim, ela ressalta que muitos leites vegetais possuem menor teor de proteína e cálcio em comparação ao leite de vaca, o que exige atenção à composição nutricional.
Para pessoas com doença celíaca, outro cuidado fundamental é evitar a contaminação cruzada com glúten. O uso de utensílios separados, o armazenamento adequado dos alimentos e a comunicação clara sobre a restrição alimentar em restaurantes são medidas importantes, já que pequenas quantidades da proteína podem desencadear reações.
Apesar das restrições, especialistas afirmam que é possível manter uma alimentação equilibrada e acessível financeiramente sem glúten e sem lactose. Alimentos como arroz, feijão, frutas, legumes, verduras, ovos, carnes e tubérculos já são naturalmente livres dessas substâncias e podem compor a base da alimentação.
Entre os erros mais comuns de quem inicia esse tipo de dieta estão o consumo excessivo de produtos industrializados “sem glúten”, a redução exagerada das opções alimentares e a falta de atenção ao equilíbrio nutricional. No caso das crianças, a restrição alimentar também pode ser adotada quando há indicação clínica, como em situações de doença celíaca ou alergias alimentares, desde que haja acompanhamento profissional para garantir o crescimento e o desenvolvimento adequados.
Mudanças na rotina alimentar
Sergio Kulak, que convive com sensibilidade ao glúten, relata que a descoberta da condição trouxe mudanças significativas na rotina alimentar. Segundo ele, uma das principais adaptações foi passar a preparar a maior parte das refeições em casa.
“Depois que descobri a sensibilidade ao glúten, comecei a fazer muito mais coisas em casa do que comer fora. Para almoço, jantar ou até um café com amigos, as opções sem glúten ainda são bastante restritas. Por uma questão de segurança, acabei priorizando a alimentação preparada por mim mesmo”, conta.
Kulak explica que essa experiência é comum entre pessoas que convivem com o mesmo problema. “Muitas pessoas que conheço relatam algo parecido. A gente passa a produzir mais alimentos em casa, como pães e bolos, e a ter muito cuidado com o que vai consumir.”
Destaca ainda a importância do acompanhamento profissional durante o processo de adaptação. “O acompanhamento nutricional é extremamente importante para entender o que pode ou não pode comer. Não é apenas retirar o trigo da alimentação. Existem muitos outros fatores que precisam ser considerados.”
No caso dele, a sensibilidade ao glúten está associada à síndrome do intestino irritável, o que exige ainda mais atenção à dieta.
Para quem busca orientação, Kulak lembra que a Clínica de Nutrição da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no campus Cedeteg, oferece atendimentos acessíveis à população, com consultas a baixo custo ou gratuitas mediante encaminhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Desafios no início da adaptação
Segundo Kulak, o período inicial após o diagnóstico costuma ser o mais difícil. “Hoje é mais fácil para mim, porque convivo com essa sensibilidade há cerca de cinco anos e já tenho um repertório maior de alimentos e receitas. Mas no começo é complicado descobrir onde encontrar produtos e quais alimentos são realmente seguros.”
Ele também aponta que a oferta de produtos sem glúten ainda é limitada em alguns mercados locais. “Em Guarapuava, muitos supermercados ainda têm poucas opções. Em cidades maiores como Cascavel, Londrina ou Curitiba, a variedade costuma ser maior.”
Mudança também traz benefícios
Apesar das dificuldades, Kulak afirma que a mudança alimentar também trouxe aspectos positivos. “Por outro lado, você passa a se alimentar de forma mais saudável. Muitas vezes reduz o consumo de ultraprocessados e começa a preparar mais alimentos em casa, usando legumes, fibras e ingredientes naturais.”
Ele também destaca que o acompanhamento nutricional ajuda a descobrir novas possibilidades de preparo. “Quando comecei o tratamento, por exemplo, eu dizia que gostava muito de lasanha e achava que nunca mais poderia comer. A nutricionista sugeriu fazer uma versão com berinjela no lugar da massa de trigo. Não é a mesma coisa, mas é uma opção saborosa e saudável.”
Para Kulak, a adaptação é possível, desde que haja informação e planejamento. “Existem muitas alternativas. O importante é buscar orientação e experimentar novas formas de preparar os alimentos.”
Guarapuava ainda enfrenta limitações na oferta de alimentos sem glúten
A procura por alimentos sem glúten tem crescido nos últimos anos, especialmente entre pessoas diagnosticadas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. Em Guarapuava, no entanto, consumidores relatam que a cidade ainda apresenta limitações tanto na variedade quanto no acesso a esse tipo de produto.
Nos supermercados, por exemplo, existem algumas seções destinadas a produtos sem glúten, mas a oferta costuma ser restrita. Além da pouca diversidade, outro fator apontado é o preço elevado. Em alguns casos, itens básicos, como biscoitos e outros produtos industrializados específicos, podem custar valores significativamente mais altos do que as versões tradicionais, principalmente quando se tratam de marcas importadas.
Segundo relatos de consumidores, um pacote de biscoito sem glúten pode ultrapassar R$ 40, mesmo com quantidade reduzida de produto. Esse cenário, na avaliação de quem precisa manter a dieta restritiva, pode dificultar o acesso para pessoas com menor poder aquisitivo, que acabam tendo uma alimentação ainda mais limitada.
Na área de alimentação fora de casa, as opções também são consideradas reduzidas. Cafés, restaurantes e lanchonetes geralmente possuem poucos itens no cardápio preparados sem glúten. Além disso, mesmo quando há pratos que não levam trigo na receita, muitas vezes eles são preparados no mesmo ambiente ou em equipamentos compartilhados, o que pode gerar risco de contaminação cruzada fator que impede o consumo por pessoas com doença celíaca.
Apesar das limitações, alguns estabelecimentos em Guarapuava começaram a direcionar parte do cardápio para esse público. Pequenos espaços especializados em alimentação sem glúten surgiram nos últimos anos, ampliando gradualmente as alternativas disponíveis na cidade. Entre os locais citados por consumidores está o restaurante Casa Terra, que trabalha com um cardápio integralmente livre de glúten.
Mesmo com essas iniciativas, consumidores avaliam que ainda há espaço para expansão do mercado local. A ampliação da oferta em supermercados e estabelecimentos gastronômicos é vista como um passo importante para tornar a alimentação sem glúten mais acessível e diversificada na cidade.
Guia rápido: onde encontrar opções sem glúten em Guarapuava
Supermercados
Nos últimos anos, redes de supermercados da cidade ampliaram a oferta de produtos sem glúten. Hoje é possível encontrar massas, pães, farinhas, biscoitos e outros itens específicos em seções destinadas a alimentos para dietas restritivas.
Baiukka
O estabelecimento trabalha com produtos voltados à alimentação saudável e funcional, incluindo opções sem glúten para quem precisa adaptar a dieta.
Fino Tracto
Oferece refeições e lanches preparados sem glúten e sem lactose, com opções congeladas e prontas para consumo.
Congelalove
Especializada em refeições congeladas, a empresa também disponibiliza pratos pensados para pessoas com restrições alimentares.
Divine
O local também comercializa produtos adaptados para dietas sem glúten.
Restaurantes com buffet
Outra alternativa para quem precisa evitar glúten é optar por restaurantes com buffet por quilo ou buffet do dia a dia, onde o cliente pode selecionar os alimentos e montar o prato de acordo com a restrição alimentar.
