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17/02/26 - às 15:00
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No centro de Guarapuava, o silêncio não é mais uma pausa perceptível é apenas uma ideia. Nos cruzamentos da Rua XV de Novembro e da Rua Manoel Ribas, o que se impõe é uma sequência contínua de sons que traduzem o crescimento urbano e a mudança no ritmo cotidiano da cidade.
O chiado das freadas dos ônibus anuncia paradas rápidas e partidas imediatas. O som agudo das motocicletas atravessa os corredores entre os carros, enquanto motores aceleram e desaceleram em intervalos curtos. Entre esses ruídos mecânicos, um sinal discreto, mas constante, se repete: o clique metálico do semáforo de pedestres, marcando o tempo de atravessar e o tempo de esperar.
Esse compasso sonoro organiza o fluxo de pessoas e veículos. Alguns pedestres aguardam o sinal; outros atravessam antes, ajustando o próprio tempo ao ritmo do trânsito. Passos rápidos, bolsas ajustadas ao corpo e olhares atentos indicam deslocamentos objetivos, sem permanência. A travessia deixou de ser um momento de pausa e se tornou apenas mais um movimento dentro de uma sequência contínua.
Os sons que hoje predominam nesses pontos contrastam com a memória de uma cidade frequentemente descrita como tranquila. O aumento da circulação de veículos, associado à expansão urbana e ao crescimento populacional, alterou não apenas o fluxo das ruas, mas também a paisagem sonora.
Nos horários de maior movimento, não há intervalos longos entre um ruído e outro. O som de um motor substitui o de outro. O sinal fecha, abre, fecha novamente. O trânsito segue em ciclos repetitivos, criando uma espécie de trilha contínua que acompanha a rotina urbana.
