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10/02/26 - às 08:10
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Guarapuava vive um momento de efervescência cultural marcado por iniciativas independentes, coletivos e espaços que mantêm a arte em circulação. Ao mesmo tempo, a realidade dos artistas locais ainda é atravessada por desafios estruturais: poucos editais contínuos, escassez de palcos permanentes e a necessidade de conciliar a criação com outros trabalhos. Nesse contexto, histórias como a de Pedro Teo e Flávia Pilati ajudam a compreender como talento, persistência e pragmatismo se cruzam na cena cultural da cidade.
Pedro Teo nasceu em Ampére, no Sudoeste do Paraná, município com cerca de 18 mil habitantes. Desde a infância, a música foi presença constante em casa. O rádio ligado, o repertório variado da música caipira ao rock brasileiro, da MPB ao samba e o incentivo da família moldaram sua relação com a arte. “A música esteve presente desde a minha formação na escola. Eu usava música em trabalhos, em tudo”, conta. A escolha pela criação não veio por expectativa financeira, mas por impulso criativo: “Hoje eu faço música com intenções criativas, de inspiração”.
Ao chegar a Guarapuava, Pedro se aproximou gradualmente da cena local. Na adolescência, passou a ouvir mais MPB e samba até se reconhecer, hoje, como sambista. As rodas de samba foram o ponto de encontro com outros músicos e com o público. Primeiro em tentativas de organização em bares, depois no Boteco do Samba, espaço que reuniu percussionistas, instrumentistas e cantores. “Ali foi criando coragem para estar presente nessa cena também”, relata.
Além de cantar, Pedro começou a compor há pouco tempo uma etapa que ele descreve como central no amadurecimento artístico. A criação, no entanto, acontece entre intervalos. Ele mantém dois empregos formais: é professor e técnico-administrativo. A rotina revela uma realidade comum entre artistas locais: a arte precisa caber nos tempos livres. “A gente busca fazer essa conciliação para que uma coisa não atrapalhe a outra, mas sempre deixando o nosso prazer em evidência. Não deixando ele de lado”, explica.
Conhecida artisticamente como Flávia Pilati, Flávia Maria Cordeiro natural da cidade de Turvo-Pr , construiu sua trajetória no cenário cultural conciliando arte, pesquisa e trabalho formal. Há dez anos ela atua como técnica administrativa na UTFPR, instituição que acabou se tornando também um espaço fundamental para o fortalecimento de sua carreira artística.
Flávia destaca que, como muitos artistas locais, não consegue viver exclusivamente da arte. O emprego formal garante estabilidade, mas também se cruza com sua produção cultural. Foi justamente na UTFPR que, há cerca de quatro anos, ela passou a desenvolver um projeto ligado à Bolsa de Incentivo à Cultura, voltado inicialmente a estudantes.
Nesse projeto, Flávia iniciou uma pesquisa sobre as mulheres na história do samba, promovendo rodas de conversa, rodas de samba e produzindo material audiovisual. A iniciativa marcou o retorno mais intenso à sua carreira artística, estimulando apresentações fora do ambiente universitário, em bares e eventos culturais da cidade.
O projeto desenvolvido na UTFPR também deu origem ao “Samba da Flávia”, iniciativa que ampliou sua presença no cenário musical local e levou à integração com o coletivo Move Samba, grupo que atua no resgate do carnaval de rua e na valorização da cultura do samba em Guarapuava.
Ao falar sobre a possibilidade de abandonar a arte por falta de retorno financeiro, Flávia diz que: A falta de condições adequadas de trabalho faz com que muitos artistas acabem recusando propostas. Isso revela, acima de tudo, a ausência de valorização do fazer artístico e da própria arte enquanto profissão.
Apesar de produzirmos arte por amor e paixão porque é isso que sabemos e escolhemos fazer, isso não significa que não precisemos ser devidamente remunerados.
Trata-se de uma atividade com suas especificidades, mas que exige investimento de tempo, estudo e recursos financeiros. Ainda assim, muitas vezes não é reconhecida como um trabalho como qualquer outra. Para grande parte da sociedade, a arte ainda não ocupa esse lugar profissional que, de fato, merece.
