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05/02/26 - às 09:46
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Um experimento iniciado no ano 2000 na Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (FAPA), em Guarapuava, acompanha há 25 anos os efeitos da rotação de culturas em sistemas agrícolas. O ensaio é conduzido pelo pesquisador Juliano de Almeida, que trabalha com trigo, aveia e outros cultivos e é responsável pelo estudo de longa duração sobre sistemas produtivos.
Segundo o pesquisador, a alternância entre culturas de inverno e de verão tem papel central na diversificação do sistema agrícola. Em situações de monocultura — como a repetição de cevada e milho, ou cevada e soja por vários anos, o solo tende a se tornar mais uniforme, com menor diversidade biológica e com as raízes explorando sempre a mesma camada. Já a introdução de diferentes espécies, como aveia, trigo, nabo forrageiro ou canola, amplia a exploração do solo em profundidades distintas, o que contribui para maior eficiência dos cultivos e aumento da produtividade.
Ao analisar as mudanças ao longo da última década, Juliano observa que os sistemas produtivos se tornaram menos diversos. A soja se consolidou como a principal cultura em termos de renda, impulsionada por investimentos em tecnologia, melhoramento genético e insumos. Esse cenário levou muitos produtores a aumentar a participação da soja em suas áreas.
No entanto, os resultados do ensaio indicam que a dependência excessiva de uma única cultura pode reduzir a eficiência agrícola e econômica. De acordo com o pesquisador, sistemas que excluem o milho e os cultivos de inverno, como cevada e trigo, tendem a perder desempenho ao longo do tempo.
Juliano destaca ainda que a realidade de Guarapuava apresenta particularidades em relação a outras regiões do Paraná. Enquanto em áreas mais quentes é possível o plantio de milho na segunda safra, no Centro-Sul do estado o milho é restrito ao verão. Por outro lado, o clima mais ameno favorece culturas como cevada e trigo, que não se desenvolvem tão bem em regiões mais quentes.
Nesse contexto, Guarapuava é considerada uma região privilegiada para a diversificação agrícola. A possibilidade de integrar diferentes cultivos ao longo do ano contribui não apenas para a geração de renda, mas também para a melhoria da fertilidade do solo e para a sustentabilidade dos sistemas produtivos a longo prazo.
